quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Nordic summer


Os últimos dias de Verão na região de Uppsala...
Last summer days around Uppsala...

sábado, 28 de janeiro de 2012

Teias de aranha

Bom, talvez limpe as teias de aranha e comece a escrever de novo por aqui. Logo se vê. Por enquanto tirei aquela coisa macarrónica que estava no lado direito, quando tiver paciência ponho uma lista de blogues de jeito.

domingo, 29 de novembro de 2009

Cozinho para o povo*

Passei o dia quase todo na cozinha, literalmente!

(Para aqueles preparados para dizer que é de qualquer modo o meu lugar, digo-vos apenas para irem dar uma curva, e não digo para irem para outro sítio porque sou uma senhora!)

Comecei o dia a dar papinha ao sourdough que estou a cultivar para fazer pão. Lamento, mas não dei qual a melhor tradução para sourdough :/. Massa-mãe, será? De qualquer modo, é apenas uma mistura de farinha e água que se deixa azedar durante três dias (pelo menos). Isso mesmo. Acrescenta-se um pouco de farinha e água algumas vezes durante este tempo (a papinha) e quando começa a borbulhar, está praticamente pronto a usar. Usa-se para levedar massa de pão e dá-lhe aquele piquinho de acidez. É uma nheca e cheira mal, mas como está fechado num frasco, não incomoda.

Depois fiz pão, não com esta massa, mas com outra que havia feito anteriormente... rendeu quatro pães pequenos, que o nosso gato diligentemente guardou:


Depois pus-me a fazer paneer. E perguntam vocês "O que é paneer?" E eu respondo "Ó meus amigos, linquei duas vezes a palavra ao artigo na Wikipédia, vão lá ler, vá lá." É a coisa mais fácil do mundo: ferve-se leite (no meu caso com alguma nata para uma textura mais cremosa), acrescenta-se vinagre, deixa-se coalhar , separa-se o leite coalhado do soro e deixa-se escorrer durante umas horas. Depois corta-se em cubos:

e pode por exemplo fritar-se:Frito ou não, pode então utilizar-se em, por exemplo, pratos de caril (que foi o nosso jantar!), não precisa de ser muito cozinhado.

Entretanto, fiz garam masala. Ora, esta é uma mistura muito fácil de encontrar nos supermercados, mas já que temos um espectacular livro com receitas para estas coisas, porque não? Foi só juntar os ingredientes (depois de levemente tostados numa frigideira seca)...


e depois moer tudo junto...

E pronto, assim se passa uma cinzenta tarde de domingo...

*Desta vez não usei imeeeeensa paprika.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Grizzly Bear

Porque este blog não é só sobre coisas sérias (embora eu leve música muito a sério):

É raro ir a concertos (infelizmente) mas ontem tive a oportunidade de ver Grizzly Bear ao vivo num clube em Estocolmo.

Maravilhoso. As canções nos álbuns têm camadas de efeitos, mas eles conseguem reproduzir as texturas ao vivo. Estar a dois palmos do palco ajudou a obter aquela sensação de imersão no som.

Não tenho fotos nem vídeos :( mas ficam aqui dois vídeos, um do álbum Yellow House e o segundo do Veckatimest (que é o mais recente):

"Knife":


"While You Wait For The Others":

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Microsoft versus Google

Que a Microsoft faz coisas muito estranhas, ninguém deve duvidar (não estou a falar do Windows, mas vá lá, também é estranho;-)). E da imagem de monstro que pretende engolir a concorrência não se livra. As duas últimas notícias que li sobre a Microsoft ajudam a consolidar de alguma forma esta percepção.
A Microsoft atacou recentemente o Chrome OS, o sistema operativo de código aberto desenvolvido pelo Google. Para ser honesta, não foi apenas a Microsoft: outros notam que o Chrome usa tendencialmente aplicações desenvolvidas pelo Google, aplicações essas que não são populares em todo o mundo (como a preferência pelo Baidu na China) e o facto de não ter ainda um início imediato, ou seja, quando se liga o netbook, demora uns horripilantes sete segundos a carregar serviços (contra os dois/três minutos que o meu Vista demora... sete segundos parecem-me um sonho). A Microsoft desdenhou o Chrome como estando "muito numa fase inicial de desenvolvimento".
Mas apareceu nas últimas 24h a notícia de que a Microsoft quer ajudar Rupert Murdoch a eliminar a presença dos sites da News Corp, a empresa que administra os diversos meios de comunicação de Murdoch, das buscas do Google. Murdoch queixa-se da forma como agregadores de notícias andam a "roubar" as "suas notícias", e que o Google é obviamente o culpado disto por indexar tudo o que rasteja na net, e que deverá num futuro próximo retirar os seus sites das buscas do Google. Hum, ok, qualquer pessoa, face a isto, pensará "o homem está gagá de todo". Eu pensava que era apenas editar o robots.txt para que o "problema" desaparecesse, mas pelos vistos não é o caso.
A grande pergunta é: porquê? O que tem a Microsoft a ganhar com esta estratégia? À medida que Microsoft e Google procuram novos nichos no mercado, entram cada vez mais no território concorrente: o Google com o seu sistema operativo e a Microsoft com um motor de busca, o Bing. Com todo o conteúdo dos sites de Murdoch removido do Google e aparecendo apenas no Bing, algum do tráfego mudaria inevitavelmente de um lado para o outro. Mais tráfego para o Bing = mais $$$ para a Microsoft, que eventualmente pagaria o investimento na News Corp.
Só que, tal como já tive oportunidade de dizer num post anterior, o mercado não molda o comportamento dos consumidores... são estes que moldam o mercado. O que quer dizer que alguém em busca de informação não vai simplesmente passar a usar diversos motores de busca para encontrar o que quer. Isso era o que fazíamos nos anos 90: procurar no Altavista e no Yahoo, por exemplo, porque algumas coisas não estavam indexadas em ambos. Era uma chatice. Para o melhor e para o pior, hoje em dia "googla-se", e é muito prático saber que se estiver na Internet, então aparece nos resultados. Se não existe no Google, então não existe, é a percepção que temos.
A pior consequência seria talvez a divisão de perspectivas. É possível imaginar que máquinas de busca que escolhem/ignoram selectivamente determinados sites (ou melhor, que determinados sites programem os seus robots.txt de modo a serem encontrados por umas e não as outras) são alvos fáceis de enviesamento. Poderia tornar-se o Bing num serviço "de direita", deixando as visões mais "à esquerda" no Google? Que efeito teria tal enviesamento na opinião pública? Nas receitas publicitárias? No tráfego de serviços associados, por exemplo, ao Google como o YouTube? Em última instância, poderia a Internet "partir-se" em duas?
Imagino que uma divisão tão grande não aconteça porque a força motriz é contrária. Existe cada vez mais integração de diversos serviços online, e os utilizadores querem simplicidade. A existência de concorrência é beneficial, pois o consumidor pode comparar e escolher o que quer consumir. Mas é melhor ter dois motores de busca coxos que um funcional?

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Lessig

Lawrence "Larry" Lessig esteve em Estocolmo há dois dias e deu uma palestra no Riksdag (parlamento). Eu soube disto mais ao menos ao mesmo tempo que a palestra decorria :/.

Um link para vídeo de uma mini-entrevista (em Inglês): http://www.dn.se/webbtv/kultur-noje/upphovsratten-borde-tillata-remixar-1.997175 (lamento, não é possível integrar o vídeo no corpo deste blog). Nele, Lessig responde à questão que os jornalistas aqui adoram subtilmente perguntar:

"Qual é a sua opinião sobre a partilha de ficheiros que viola a lei?"

Ora que esperam como resposta de um advogado? "Ah porreiro, 'bora violar a lei!"?? Obviamente, ele responde mais ou menos o que sempre responde: "acho que não deve ser feito, mas." E o "mas" é o que deve ser mais importante aqui: as leis de copyright devem ser mudadas para possibilitar a reutilização e remistura, e para não criminalizar quem faz partilha de ficheiros. Lessig é também crítico das extensões de copyright que os legisladores de vez em quando se lembram de instituir, atendendo às "sugestões" das editoras (lembro-me sempre de marionetas, vá-se lá perceber porquê :)). Mas claro que, embora o título do vídeo reflicta correctamente a mensagem do mesmo ("a lei de copyright deveria permitir remisturas"), o título no jornal era... adivinhem lá... "Lessig é contra a partilha de ficheiros".

Os jornalistas por estas paragens adoram escrever "ilegal" junto a "partilha de ficheiros". Eu suponho que seja de facto ilegal distribuir, seja por que meio for, determinados ficheiros, por exemplo imagens de pornografia infantil. Mas nós sabemos que não é este tipo de partilha de ficheiros que a imprensa se refere, mas sim música, filmes, jogos, software. Interrogo-me sobre a isenção dos jornalistas que trabalham para orgãos de imprensa que pertencem a empresas que andam a pressionar o governo e os tribunais no sentido de criminalizar essa distribuição. E leio tais notícias de pé atrás.

Discordo de Lessig quando este diz que não temos um sistema para dar aos autores compensação pelo seu trabalho apesar (ou através) da partilha de ficheiros. Certamente que é difícil cobrar dinheiro directamente através de tecnologia peer-to-peer, mas não existem razões para o fazer. Muitos autores utilizam já formas diversas de ganhar dinheiro que não dependam unicamente da distribuição digital do seu trabalho, porque entenderam que quando este é reduzido a zeros e uns, o seu valor comercial decai para praticamente zero (ou seja, a cópia é trivial). Enfim, não me alongo sobre isto porque muitos outros já escreveram mais e melhor sobre o assunto.

O que me chateia mesmo é a imprensa ser tão parcial e submissa aos interesses corporativistas dos chefes. Onde está o jornalismo independente?

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Spotify

Há algumas semanas, tive a oportunidade de receber um invite para aceder à versão grátis do Spotify. Por isso, quando não me apetece ouvir a Radar, escolho um álbum qualquer, ou abro uma playlist que alguém compilou, ponho os auscultadores e ouço o streaming. Para o serviço gratuito (que é patrocinado por anúncios), o Spotify utiliza ficheiros OGG a 160 kpbs (versus 320 no serviço pago), o que chega perfeitamente para a maioria da música que ouço, diga-se. O Spotify encontra-se por enquanto disponível apenas nalguns países (Espanha, França, Finlândia, Suécia, Reino Unido e Noruega), mas pelo menos na Suécia goza de grande popularidade.
O serviço Premium parece ser interessante para aqueles que possuem um iPhone ou um smartphone Android, pois é possível armazenar até 3 333 faixas offline, podendo utilizar-se o telefone como leitor de mp3 (ou melhor, de ogg) virtual. Explico mais abaixo o que quero dizer com "virtual".
É possível também comprar faixas individualmente, ou seja, algo tipo iTunes, independentemente do serviço usufruído. Hoje em dia, encontra-se muita coisa no Spotify, embora ainda esteja longe do objectivo de ter todas a música do mundo disponível.
Há quem diga que serviços como o Spotify podem acabar com a partilha de ficheiros. Permitam-me discordar. São dois conceitos totalmente diferentes. Ao oferecer o serviço Premium, pago para fazer desaparecer a publicidade, ou o serviço grátis apoiado com publicidade, o Spotify recebe dinheiro para fazer o streaming de música, que apesar de ser muito porreiro, tem a grande desvantagem de oferecer sempre música em streaming, perdoem-me o pleonasmo. Ou seja, paga-se por um serviço volátil, por uma licença para ouvir. Não há posse do ficheiro (a não ser que se pague adicionalmente pelo download individual, como referi acima). Não há possibilidade de reutilização do material, mesmo sem intento comercial. Não há possibilidade de utilizar leitores portáteis que não sejam smartphones (e mesmo com estes, o tal armazenamento offline não é um download; desconheço os pormenores técnicos, mas em lugar algum é referido este armazenamento offline como um download). Em suma, é um serviço interessante apenas para um determinado segmento do mercado.
Por outro lado, para quem encarar o serviço como uma espécie de rádio em que podemos escolher a música que queremos realmente ouvir, então serve perfeitamente. As rádios funcionam nas mesmas premissas: tocam música, pagando licenças aos detentores de copyright (na maioria dos casos, editoras discográficas). Os ouvintes compram um rádio e ouvem sem pagar mais por isso. Mas não é mais que isto.
Gosto do Spotify, mas não vai mudar a forma como ouço música. Não é o mercado que molda o consumidor.